Mansidão: inteligência emocional

Mansidão no grego é “praus” ou “praos” que denota “gentil, moderado, submisso, manso” a raiz desta palavra da idéia de “amansar um animal bravo”. Para facilitar a compreensão,  podemos dizer que uma pessoa mansa é aquela que tem as rédeas das emoções nas mãos, é o auto-controle das emoções. Daniel Goleman, diria que uma pessoa mansa é aquela que coloca inteligência nas suas emoções. O apóstolo Paulo coloca a mansidão como a oitava virtude do fruto do Espírito (Gl 5.23) e Jesus como a terceira bem aventurança (Mt 5.5) e Pedro se refere a mansidão como um adorno da profissão de fé (1 Pe 3.4). Em um mundo onde as pessoas vivem com o nível de estresse elevadíssimo, muitas com os nervos a flor da pele, torna-se urgente o estudo e a busca do desenvolvimento desta virtude do caráter – mansidão. Nesta lição vamos estudar porque a mansidão é imprescindível na construção e manutenção dos relacionamentos. 1. Fazendo um auto exame. Toda casa precisa de espelho. Você já imaginou como seria complicado se não houvesse espelho? Ninguém que tenha o mínimo de bom senso sai de casa sem dar uma olhada no espelho. O escritor e pastor John Maxwell, no seu livro: “Vencendo com as Pessoas”, faz uma abordagem sobre a Lei do Espelho que nos ajuda a compreender a importância do auto-exame. As mudanças necessárias começam quando ganhamos consciência do que precisa ser mudado em nós. Vejamos como funciona a lei do espelho segundo J. Maxwell:  – A primeira pessoa que devo conhecer bem sou eu mesmo – (auto consciência). A natureza humana parece dotar as pessoas da capacidade de julgar todo mundo, menos elas mesmas. – A primeira pessoa com quem devo me dar bem sou eu mesmo – (auto-imagem). São de Sydney J. Harris as palavras: “Se você não se sente a vontade consigo, não sentirá à vontade com os outros”. Essa uma questão de auto-estima. Tudo na vida depende de como nos relacionamos com Deus, o próximo e conosco mesmo. Quando você se relaciona bem com Deus, você cresce em sua auto-estima e isso contribui para o desenvolvimento dos seus relacionamentos interpessoais. Na primeira carta do apóstolo João, lemos: “Mas se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros,…” (1 Jo 1.7a). Quem anda na luz, anda em comunhão com Deus, com o próximo e consigo mesmo. Quanto mais eu me aproximo de Deus, mais eu me conheço e me aceito e isso faz toda a diferença na construção de relacionamentos. O psicólogo e escritor de sucesso Phil McGraw declara: “Sempre digo que o relacionamento mais importante que alguém pode ter é consigo. Antes de mais nada, você precisa ser o seu melhor amigo”. A Bíblia diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo…” (Mc 12.31). – A primeira pessoa que me cria problemas sou eu mesmo – (autocritica). Não há crescimento quando não há autocrítica. Sem um espelho, é impossível enxergar a nós mesmos. Foi por isso que Jesus disse: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” (Mt 7.3) Quando falta autocrítica, significa que temos um problema chamado “eu cego”. O “eu cego” é tudo que as pessoas ao meu redor percebem em mim, que eu não consigo perceber. Por esta razão é indispensável a prática da introspecção. É comum para você perguntar para um amigo que inspira confiança: “O que você percebe de negativo no meu comportamento que eu não estou conseguindo enxergar? Você está sempre fazendo uma autocrítica buscando o aperfeiçoamento?” – A primeira pessoa que preciso mudar sou eu mesmo – (desenvolvimento pessoal). Quem procura justificar suas falhas apontando as falhas dos outros, se torna um prisioneiro da mediocridade, não se aperfeiçoa. O segredo daqueles que alcançaram um alto nível de desenvolvimento pessoal, é a humildade que os manteve sempre abertos para as mudanças necessárias. Paulo tinha isto em mente quando escreveu para Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. (2 Tm 4.16a). Se você deseja contribuir no crescimento das pessoas que você influencia, então precisa primeiro esteja pronto para as mudanças necessárias em si mesmo. – A primeira pessoa que pode fazer a diferença sou eu mesmo – (responsabilidade). A sua vida pode ser um sucesso ou fracasso, depende de como você quer construí-la. Com razão disse o psicoterapeuta Sheldon Kopp: “Todas as batalhas expressivas são as que travamos contra nós mesmos”. Muitas pessoas ainda não alcançaram o poderiam porque estão transferindo a culpa e a responsabilidade de sua vida para outros. É hora de assumir a responsabilidade das áreas a serem melhoras, fazer um auto-exame e desatar os nós que precisam ser desatados. Segundo John Maxwell, as pessoas que desejam ser bem sucedidas precisam passar pelo teste do espelho.   2. Colocando inteligência nas emoções.  Descobrir o poder que há nos relacionamentos, é um fator decisivo para que haja uma mudança na forma de tratar as pessoas. Em qualquer área, seja na família, igreja ou na empresa, a pessoa pode ser excepcional naquilo que faz, mas se não souber se relacionar com  os outros, dificilmente ela irá muito longe. A passagem na Bíblia que registra a cura do homem que foi levado por quatro amigos até Jesus, nos ensina algumas lições interessantes sobre relacionamento. 1) Amigos autênticos nos ajudam quando não podemos andar com as próprias pernas; 2) Amigos autênticos não desistem de nós quando surgem os obstáculos; 3) Alguns lugares nós só chegamos se tivermos amigos de verdade (M 2.1-12). Aquele homem não teria chegado no lugar da sua vitória, se não fosse o esforço dos seus quatro amigos. Observe o poder dos relacionamentos. Lemos no livro de Eclesiastes, que se o “cordão (da amizade) for de três dobras; não se quebra com facilidade”(Ec 4.12).  Como o autocontrole das emoções (mansidão) pode influir positivamente em nossos relacionamentos. O apóstolo Paulo , escrevendo aos Efésios, dá algumas orientações que são determinantes quanto a maneira como devemos lidar com as nossas emoções. – Inteligência emocional e relacionamento interpessoal.  A qualidade dos nossos relacionamentos depende da maneira como lidamos com as nossas emoções. Por exemplo, Paulo fala sobre a ira como um sentimento normal se for controlada, porém, quando fora de controle causa prejuízos irreparáveis. Ele diz: “Se você ficar com raiva, não deixe que isso o faça pecar e não fique com raia o dia todo”. (Ef 4.26 – BLH) Isto porque o diabo como um psicólogo milenar, vai procurar tirar proveito do nosso descontrole emocional (Ef 4.27). Ao tratar sobre a “unidade da fé”, que tem tudo a ver com relacionamento, Paulo diz que o relacionamento entre os irmão exige: 1) Humildade; 2) Mansidão   3) Longanimidade Para suportar uns aos outros em amor (Ef 4.2).  Aqui está o tripé da inteligência emocional.   – Entre o estímulo e a resposta, crie uma tecla chamada “pausa”. A Bíblia diz: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a Ira”. (Pv 15.1) Entre o estímulo e a resposta existe um espaço, onde você tem a liberdade para escolher a resposta que dará. Nesse espaço você precisa criar uma tecla chamada “pausa”. Para você entender melhor, vou ilustrar. Havia um irmão, que todos os dias ao ir na parte dos fundo da sua casa, se deparava com um monte de lixo no quintal. Sua casa tinha muros altos e ele não sabia de onde vinha aquele lixo. Um determinado dia, quando ele estava indo para ver se tinha lixo no quintal novamente, ele viu a parte de uma lata que subia e descia por traz do muro. Era como se alguém estivesse subindo uma escada do outro lado com uma lata nas costas. Logo ele entendeu de onde estava vindo o lixo. Naquele momento ele estava sendo estimulado a dar uma resposta ao vizinho. Se isto acontecesse com você, qual seria a tua resposta? Eu estava indo para o meu escritório, e sem perceber, quase que eu atropelo um motoqueiro. Quando parei na frente do escritório, o rapaz parou ao meu lado e despejou todo o seu estresse em forma de palavras torpes para mim. Eu estava sendo estimulado a dar uma resposta. Lembre-se, a maneira como você responde aos estímulos, determina a qualidade da sua vida e dos seus relacionamentos. Jesus disse: “Bem aventurados os mansos (os que têm autocontrole das suas emoções), porque eles herdarão a terra”. (Mt 5.6) Um pergunta para reflexão: “Como esta respondendo aos estímulos dentro do seu casamento, na família, no trabalho, no Trânsito?” Há pessoas que por qualquer motivo perdem o controle total das suas emoções, ofendendo o cônjuge, os filhos, os pais, os amigos etc. São pessoas tóxicas. Se a resposta branda, calma desvia o furor, o que é necessário para responder assim? Primeiro – crie uma tecla chamada pausa no espaço que há entre o estimulo e a resposta. Quando você apertar esta tecla, você estará desativando o seu “burrinho emocional”. Conte até 100 se for necessário antes de responder. Segundo – nunca responda com base no que você está sentindo, mas sim, com base em princípios. Terceiro – lembre-se, você tem o controle, o poder da decisão, ninguém pode decidir por você. Quando o irmão viu o vizinho tentando subir com mais uma lata de lixo para despejar em seu quintal, ele preferiu responder com base em princípios. A Bíblia diz: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. (Rm 12.21) Ele pegou uma escada rapidamente e colocou no muro, subiu e disse ao vizinho: – Dá licença, deixa eu lhe ajudar. Pegou a lata e jogou o lixo dentro do próprio quintal e devolveu a lata para o homem. Passaram alguns dias, de tanta vergonha, o vizinho mudou da casa. “A resposta branda desvia o furor…” (Pv 15.1).   – O humor como lubrificante social. Lia Luft, uma escritora de sucesso em um dos seus artigos, disse: “Nem sempre falta amor nos relacionamentos, mas sim humor”. Há uma criança dentro de cada um de nós que não pode morrer. Alguém que tem senso de humor “é capaz de perceber, apreciar ou expressar o que é engraçado, interessante ou absurdo”. Fica claro que senso de humor é mais do que brincadeiras ou hilaridades superficiais de gargalhadas e tapas nas costas. Podemos afirmar que o senso de humor genuíno é como a alegria profunda da qual Paulo fala, quando descreve a lista das virtudes do fruto do Espírito, em Gálatas 5:23,23:  “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”. Qual a diferença entre alegria e felicidade? Felicidade é um sentimento que depende das circunstâncias. Alegria é um sentimento que independe das circunstâncias. Um exemplo disso é Paulo e Silas cantando na prisão, depois de haverem sido açoitados (Atos 16).  Jesus tinha um senso de humor impressionante. Em Mateus 11:16-19, Ele fala da doença da insatisfação e do mau humor crônico. O Mestre está falando à liderança religiosa de Israel daqueles dias. Seria Jesus capaz de sorrir diante de um fato engraçado com seus discípulos? Se a nossa expressão facial fala muito sobre o nosso estado emocional, como seria a do rosto de Cristo no seu cotidiano? Não podemos esquecer que Jesus era cem por cento homem e cem por cento Deus, ou seja, ele estava sujeito a tudo isso como ser humano. A Bíblia, no livro de Eclesiastes, diz que há tempo para tudo, inclusive para rir e tempo de saltar de alegria (Ec. 3:4). Jesus começou seu ministério público em uma festa (Jo. 2). Na parábola do Filho Pródigo, Ele mostra o pai preocupado com o “mau humor” do filho mais velho (Lc. 15:28).  Uma das melhores empresas aéreas do Brasil, para contratar um funcionário, dentre os oito itens que fazem parte da avaliação do perfil do candidato, o “bom humor” é considerado um dos mais importantes. Bernardo Johnson, um conhecido missionário americano que dedicou sua vida fazendo cruzadas no Brasil e no mundo, dizia: “Deus tem um senso de humor tremendo. Olha para o tamanho do pescoço da girafa, para o chifre na ponta do nariz do rinoceronte, para o bico e as cores da arara! Só um Deus que sabe sorrir  poderia fazer tudo isso!”. Elton Trueblood escreveu como Jesus usou o humor, a sátira, a ironia e o paradoxo,  a fim de ajudar a esclarecer ideias profundas. Isso se verifica em algumas passagens dos Evangelhos. Vejamos algumas: Coar um mosquito e engolir um camelo  (Mt. 23:24); O camelo passando pelo fundo de uma agulha (Mt. 19:24; Mc. 10:25; Lc. 18:25); Cegos guiando cegos (Lc. 6:39); Mortos sepultando mortos (Mt. 8:32); Figos de espinheiros (Mt. 7:16; Lc. 6:44); Argueiro e trave no olho (Mt. 7:4; Lc. 6:41); O que é mais fácil: perdoar ou curar? Quando a lógica era perguntar: o que é mais difícil? (Mt. 9:5). É bom lembrar que Jesus sempre fez uso do senso de humor para esclarecer e aumentar a compreensão e jamais para ferir ou ridicularizar; eis o porquê de Ele ser o Modelo insuperável para todos nós. O que está escrito em Neemias 8:10 deveria ser o texto áureo para o líder: “A alegria do Senhor é a minha força”. As pessoas com um senso de humor contagiante fazem a diferença na construção de relacionamentos com qualidade. Você é uma pessoa bem humorada?   3. Como desenvolver mansidão.   Como todas as outras virtudes do caráter, mansidão é o resultado de uma vida que é governada por Deus através do seu Espírito Santo. O desenvolvimento desta virtude, depende da prática de alguns princípios fundamentais. Submeta o seu temperamento ao controle do Espírito Santo. Nunca seja precipitado em responder aos estímulos. Reaja com serenidade. Seja humilde para aceitar provocações e responder conforme os princípios da Palavra. Diante das provocações, faça a você mesmo, a pergunta: “Em meu lugar o que faria Jesus?” Não aceite que o diabo toque piano em seus nervos. Tenha um coração de servo. Cultive a longanimidade – ou seja, longa paciência. Saiba esperar sem se estressar. Ore sobre esse assunto – é na presença de Deus que as nossas fraquezas desaparecem. Aprenda com as pessoas que são “mansas, serenas, controladas emocionalmente”. Se esforce para que Deus seja glorificado sempre nas suas atitudes e comportamentos.  

  • Conclusão.

 Rompendo o ciclo do ódio! Um diretor de empresa gritou com seu gerente porque  estava irritadíssimo. O gerente, chegando em casa, gritou com a esposa,  acusando-a de  gastar demais. A  esposa, nervosa, gritou com a empregada,  que acabou deixando um prato cair  no chão. A empregada chutou o cachorrinho no qual  tropeçara  enquanto  limpava os cacos de vidro. O cachorrinho saiu correndo de casa e mordeu uma  senhora que passava pela rua. Essa senhora foi à farmácia para  fazer um curativo e tomar uma vacina. Ela gritou com o farmacêutico porque a vacina doeu ao ser aplicada. O farmacêutico, ao chegar em casa, gritou  com a esposa porque o jantar não estava do seu  agrado. Sua esposa afagou seus cabelos e o beijou,  dizendo: “Querido!  Você não é assim, prometo que amanhã farei seu prato favorito. Você trabalha  muito, está cansado e precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis de nossa cama por outros limpinhos e cheirosos para que durma  tranquilo. Amanhã você vai se sentir melhor!” Retirou-se e deixou-o sozinho com seus pensamentos. Neste momento rompeu-se o Círculo do Ódio! Esbarrou na tolerância, na doçura, na mansidão, no perdão e no amor. Se você está  no Círculo do ódio, lembre-se de que, com MANSIDÃO, TOLERÂNCIA, DOÇURA,  PERDÃO e AMOR,  pode-se quebrá-lo. Obs: Qualquer semelhança com personagens que você conheça, é mera coincidência. REFLITA SOBRE ISSO, VOCÊ MESMO. Vale a pena quebrar esse ciclo. Tente encontrar uma solução, é fácil. “E a Paz de Deus, guarde o vosso coração e os vossos sentimentos em Cristo

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